Essa chuva rala, garoa curta,
quando cai mal molha o chão
bem marcada nas poças da rua
não anuncia nada. Hoje não...
Todos os olhos que arriscam
cruzar olhares com os meus
são opacos e curtos, não brilham
meus olhos não encontram os teus.
Não há novidade nesse mundo meu
que suplante o seu bem-querer
todos os abraços agora se soltam
bem antes do que soltavam os seus.
As conversas estão entre-cortadas
o mundo já não é mais tão bom
a bituca do cigarro; a vela apagada
o coração não bate mais seu tambor.
A hipoteca do corpo - lotérica da alma -
faz crescer nos outros uma pequena confusão
os mais próximos abraçam-se: "Calma..."
Dia, não anuncia nada. Por favor, hoje não.

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