28.8.10

Sol, eloquente, rasga minha pele
sem água, escurecendo e rachada.
Vejo de longe vindo a pouca plebe
que também anda morrendo de graça.

Fui vadio como poucos os que restam
de amar conhecer o mundo dos vivos,
rir à toa aos domingos c'os que passam,
muito amar todos esses deuses vadios.

não estaria aqui hoje, seco ao sol
todo rachado e quase moribundo
se não fosse, do abraço, essa ausência.

Que veste a solidão como rouxinol,
de ver e ouvi-la me esqueço do mundo
e me deito e me entrego a tal demência

Nenhum comentário: