17.5.08

Se soubesse a desgraça que é ser o que sou
Sem pressa sumiria da cena na qual estou.
Me deixaria sozinho, andando pela rua
Vermes se alimentariam de minha carne crua
Ainda viva, por sinal. E ver você nua
Pela janela, na cama do homem que já foi meu
Cria em mim um quê de ódio e outro de prazer
E sem saber direito que sou eu, faço a curva
Volto e me viro, me remexendo no chão duro
O vento não me deixa dormir, canto.
Por isso eu canto, canto alto e à noite
Porque durante o dia ninguém me ouve.

Ninguém me ouve, por que há de você me ouvir?
Não queira saber o que penso quando calo,
Nessas horas, algumas vezes, nem eu queria.
Sou assim mesmo, não tenho solução
Meu passado me condena, e meu futuro...
Meu futuro é minha prisão

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