Não vês a ferida que tenho
Do peito até a garganta?
Ferida que dói mas não sangra
Um corte profundo e seco
Que meu corpo agora ganha.
É que de uns tempos pra cá
Venho me notando diferente
Sangrando lembranças
De momentos que passei
Exclusivamente com você.
Comecei a me estranhar
Quando notei que meu olhar
Andava vago por aí.
Comecei a ouvir mais Elis
E a reler os contos de Flaubert.
Coçava a ferida de meu peito
Com mais intensidade
Como que querendo
Arrancar lá de dentro
Esse estranho sentimento.
Será que não notas minha dor
Que faz tremer todo o corpo?
Uma dor profunda que vai
Vindo de dentro pra fora
E no fundo não incomoda,
É quase como cócegas
Que alguém me faz na alma.
Está mais difícil de me concentrar,
Toda hora tenho que parar
E buscar o pensamento que se perdeu
E só se encontrou em você.
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