15.5.08

Diante da folha em branco
Não penso em quase nada
E espero e concentro e nada
Nada vem à mente agora

E penso no dia que tive
E na noite que passou
E lembro de momentos
D’um mundo que acabou

Pois diga que minto
Se digo que tal noite
É metade o que sinto
E metade o que foi

E você que desconheci
Eu toda hora buscava
Em todo lugar te encontrar
Perdido estava. Enfim...

Dentro e fora do teu olhar
Era eu que via sem ser visto
E caminhar por esse sítio
Era o mesmo que não andar

Parado estava. Dizendo à mente
Que metade do que acontecia
Era em parte o próprio mundo
E em parte a profecia.

E você que de longe via
Meu olhar órfão buscando
Respostas a muito ditas
E você de longe vinha...

E você de longe vinha
E eu via, e eu via
E de longe você vinha
E vinha, e vinha...

Nossos olhos miram-se
Nossos sorrisos confundem-se
Nossos braços tocam-se
Nossas vidas cruzam-se

E agora desviava o olhar
Buscando nessa noite
Onde estariam as palavras
Que eu deveria falar

E assim passei a noite
Te tendo sempre perto
Sem saber se eu faria
Dessa história algum verso

E no movimento final
Todos em casa menos nós
Vou manter o mistério
Do que fizemos a sós

E agora a noite vai calminha
Num poema tirado da lembrança
Que espera outra vez ter
A presença daquela poesia.

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