27.10.12

Já precisei me despedir de diversas paixões. Algumas tão duradouras que prepararam o terreno para o que chamei de amor, sem ter certeza se era mesmo amor. Nem sei o que é o amor, esse amor. Hoje abro a janela do quarto e deixo a noite entrar, serena e mansa: manda embora essa dor. Algumas paixões são tão suaves e macias que passam e vão e só deixam, no máximo, algum arrepio que começa no pé da nuca e se espalha por toda ela até morrer nos braços - que boas paixões foram essas!
Já precisei abrir mão de diversas paixões. Algumas tão intensas que penetraram em meu corpo e ali, próximo ao peito, lançaram raízes. Dessas me lembro mais, me marcaram mais - da mesma maneira que a marca de um corte dura muito mais que o calor de um carinho. Algumas dessas deixaram marcas tão profundas e aberturas tão expostas que ainda se pode ver o que há lá dentro só de olhar por fora. Outras me assustam, ainda hoje, só de lembrar - são essas paixões as responsáveis por meu receio. Quanto receio! Pudera não tê-lo guardado comigo sempre!
Já precisei esquecer diversas paixões. Todas elas existiam dentro de mim, nas memórias que, mesmo lutando contra, meu cérebro armazenava. Todas foram paixões que abriram espaço para o amor - nem sempre ele veio, ainda bem. Já precisei esquecer por vontade minha, mas já precisei, e acho que não consegui direito ainda, esquecer por vontade dela. Mas, para qualquer fim, já esqueci.
Hoje preciso esquecer novamente uma paixão - chamaria de amor, mas ainda não é tempo. Nem sei o que é o amor, esse amor. Foi uma paixão, é, é, ainda é uma paixão. Eu acho. Mas o seu pior problema não é o que ela é, porque, de fato, ainda não é nada - nada catalogável pelo menos. É uma relação. Assim mesmo, uma relação, sem adjetivos nenhum. Era uma relação séria para mim, no meu futuro. É isso, hoje gostaria de esquecer uma paixão - amor - que não existe, não existe no presente. Hoje preciso me despedir de uma paixão que nem chegou! Só existia em minhas indagações a respeito do futuro; só existia nas noites solitárias em meu quarto; só existia no meu futuro. Preciso abrir mão do futuro que imaginei. Preciso deixar de pensar no futuro, preciso, clichê, aproveitar o presente. De nada me adianta! Futuro não será presente e o presente que é, não será da maneira que me pedi.

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