Não é nem meia-noite e as pessoas se movem para suas casas. Meu lanche ainda não acabou. Não é nem meia-noite e a rua apaga a fachada de vários bares, meu lanche cai seco e rápido no estômago. Não é nem meia-noite e todos já trancam suas portas. Não é nem o final do lanche e já diminuem a luz dos postes, é hora de ir. Embora não queira, embora não precise, embora ainda tenha uma noite inteira pela frente eu vou para casa. Não a minha, mas é casa.
Não é nem meia-noite e volto a pensar nela, e na outra, e na anterior... Não é nem meia noite e já estou melancólico outra vez. Corro para chegar em casa, não na minha, mas na casa. Corro para não perder a melancolia.
Não é nem meia-noite e me ponho a re-inventar os futuros que não escolhi. Ainda bem que não os escolhi. É o fim do lanche, é o fim da linha. É o começo da noite e a cidade, como se ignorasse a mim, fecha seus olhos e deixa cair os seus braços. A noite que antes me abraçava agora dorme e fico ao sereno caminhando de volta pra casa.
Não é nem meia-noite. Saí hoje para fazer novos amigos, mas, assim como a Noite, só encontrei amigos já feitos. Resolvi então, saturado de maionese, ervilha e bacon, sair um busca de conversas para jogar fora. O que encontrei foram amigos já feitos buscando no lixo conversas jogadas fora. Vi porcos revirando memórias e rasgando recordações; vi amigos, já feitos, desfeitos.
Não é nem meia-noite e arrumo a cama da casa. Ainda tenho a todas elas em meus pensamentos, lindas. Cabisbaixo sento na cadeira e destampo a caneta: alguma coisa deve ser desabafada antes de dormir... Lá fora já passa da meia-noite e existem pessoas que ainda falam, conversam e gritam... tenho certeza que é desespero.
Um comentário:
Pelamordedeus, Fausto! Junta logo seus textos e envia para editoras...
Beijos
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