1.11.10

àquela cidade que eu adoro tanto:

eis aqui uma carta a lhe entregar, escrita já há muito tempo, mas somente hoje que resolvi revelar esses meus pesares. Dum'outra vez te avisto vindo por detrás da colina, carrega junto tanta gente bela! como pode ser assim tão altiva quando todo mundo baixa cabeça?

Hoje é tarde para o que deixei de fazer antes, mas ainda é cedo para o que pretendo terminar. Não sei o que faço, nem pra onde vou. Sei que ainda vou sofrer mais. Sei que ainda vai doer mais. Mas não termino a vida sem antes te revisitar.

abraços,
Fausto

2 comentários:

Lígia Fernandes disse...

Essa é a vida: complexa e nunca completa. Nós a complicamos e a complicamos com nós. Nós fortes e górdios. Talvez seja um paradoxo, pois quero sempre buscar a simplicidade, mas a tendência sempre é complicar cada vez mais. É isso que nos dá vontade de viver. E por viver ser um verbo, ser abstrato, será nunca concreto. A vida nunca está completa e cada momento surgem mais e mais nós. Há nós que busco no passado, pois gostava da forma dele e reviver não faz [tão] mal...
Mas somos nós mesmos quando estamos n(us) e quando fazemos (us)o de nós. Então, se busco me vestir, quero afastar-me de mim, de nós. Outro paradoxo: quando mais me aproximo de você, mais me afasto de nós, pois me afasto dos meus nós. Mas seremos nós novamente no momento em que estivermos nús.

Acredito que boa parte dos nós e de nós estão no que há de mais simples: a Natureza.

j. disse...

tá falando de osasco, parceiro?
(sorry, não podia perder a piada...)

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sabe, tem lugares que fazem a gente ser um pouco mais da gente mesmo, cê não acha?
sinto-me assim na chapada, e você deve se sentir assim na sua cidadezinha misteriousa...

um beijo com saudades,
ju.