26.7.10

           A ação se desenvolve em Paris por volta do ano de 1830 no sótão que Rodolfo (poeta) divide com o amigo Marcelo (pintor). A jovem Mimí bate na porta para pedir ajuda pois o vento havia apagado sua vela. Rodolfo abre, fica impressionado pela beleza de Mimí e a convida a entrar para aquecer-se perto do fogo. A jovem, seriamente doente, sufocada por um acesso de tosse, quase desmaia e Rodolfo se dispõe a socorrê-la. Ficando melhor, Mimí agradece e sai, mas volta logo depois porque havia esquecido as chaves no sótão de Rodolfo. Um golpe de vento apaga as velas de Mimì e de Rodolfo (embora ele simule isso) que ficam no escuro. Rodolfo encontra logo as chaves mas instintivamente as coloca no bolso. Continuando a buscar no chão, suas mãos se tocam...

(por volta dos seis minutos a música começa, mas vale a pena ver essa pequena introdução)
Che gelida manina
Se la lasci riscaldar.
Cercar che giova?
Al buio non si trova.
Ma per fortuna
è una notte di luna,
e qui la luna
l'abbiamo vicina.
Aspetti, signorina,
le dirò con due parole
chi son, e che faccio,
come vivo. Vuole?
Chi son?
Sono un poeta.
Che cosa faccio? Scrivo.
E come vivo? Vivo!
In povertà mia lieta
scialo da gran signore
rime ed inni d'amore.
Per sogni e per chimere
e per castelli in aria,
l’anima ho milionaria.
Talor dal mio forziere
ruban tutti i gioelli
due ladri, gli occhi belli.
V’entrar con voi pur ora,
ed i miei sogni usati
e i bei sogni miei,
tosto si dileguar!
Ma il furto non m’accora,
poichè, v’ha preso stanza
la dolce speranza!
Or che mi conoscete,
parlate voi, deh! Parlate.
Chi siete? Vi piaccia dir!

Retirado de: "La bohème" (Puccini)


Agora a tradução:


Que mãozinha fria,

me deixe aquece-la. 

Buscar para que,

no escuro não se encontra. 

Mas por sorte
é uma noite de lua, 
e aqui a lua
a temos vizinha. 

Espere senhorita, 
lhe direi com duas palavras
quem sou e o que faço,
e como vivo. Quer?

Quem sou?
Sou um poeta. 
O que faço? Escrevo. 
E como vivo? Vivo. 

Na minha pobreza despreocupado,
esbanjo como um grande senhor,
minhas rimas e hinos de amor
de sonhos e quimeras
de castelos no ar.
Tenho a alma milionária. 

Talvez do meu cofre
roubam todas as jóias 
dois ladrões, o
s olhos belos. 

Entram com você também agora, 
e os meus sonhos habituais 
e os meus sonhos encantadores
logo vão escapar-me.

Mas o roubo não me apavora, 

porque agora nasceu 

a esperança.




Agora que me conhece, 
fale.
Lhe peço, fale!
Quem é a senhorita, queira dizer!

2 comentários:

Lígia Fernandes disse...

Realmente lindo!
Adorei!!

Polliane Trevisan Nunes disse...

Tri bonito.