Conheci Camilla.
Uma garota especial, diria que, mesmo se quisesse, eu não conseguiria concebe-la nos limitados espaços de minha imaginação. E acho que ninguém, por mais ocioso ou criativo que seja, conseguiria também. Camilla...
Não era linda, dessas mulheres que é impossível não reparar quando saem a rua. Era linda, dessas que só depois de um terceiro olhar notamos que é impossível não amá-la. Tem cabelos castanhos meio escuros, um pouco como bronze, mas sem o brilho excessivo do metal que dá às coisas um ar mais frio, esse cabelo não, muito pelo contrário: passa um braço por sobre meu ombro e é como se me abraçasse com um aperto tímido, nada além disso.
Seus olhos, confesso, não tinham nada de especiais além de serem grandes. Mas sou suspeito, adoro olhos grandes e escuros. Seus olhos também eram escuros, mas não era isso que os faziam tão belos. Tudo o que esses olhinhos não tinham em beleza, ou em individualidade porque eram como outros olhos grandes e escuros quaisquer, tinham no olhar. provando que quem me mata é o caçador e não sua arma.
Tem o rosto delicado, sem ser frágil, e os cabelos bem curtos. Olhando pra ela assim, tão linda, não tem como não desejar outra vez poder tocar-lhe o rosto. Camilla... Ela sorri pra mim algumas vezes, e nesses pouquíssimos instantes nos quais ela me concede um tempo de intimidade com sua alma, não sei o que fazer e acabo, involuntariamente, sorrindo de volta, deixando alma falar (isso se alma fala) diretamente com alma.
E quando nossas mãos tocaram-se? Ah, foi bem esquisito, talvez até um pouco estranho. Esperava uma pele lisa, bem tratada, dessas, como dizem por aí, macias como pêssego ou seda, mas senti pele e só. Assim como o primeiro olhar, o primeiro toque não me revelou muita coisa, precisou transformar-se em abraço para que eu pudesse sentir, mas não sua textura (que como disse é pele e só), mas a pessoa que havia lá. De prosa suave, como conversar com o mar pela manhã no inverno, era assim Camilla.
Desculpem se pareço maçante,mas vocês me entenderiam se pudessem vê-la também.
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